terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Matina

Todas as manhãs ela acorda, deixa os sonhos na cama e põe sua roupa de viver. Todas as manhãs ela caminha vagarosamente pra pegar o ônibus que a levará pra lugar nenhum, pra ver ninguém. Ela imagina como serão as tardes, já sabendo a resposta, finge um sorriso no canto dos lábios e se esforça para ser agradavelmente sã. E todas as manhãs ela espera pela noite, ela espera assim, arduamente, pra voltar para o seu quarto e ser triste. É quando ela sente que está assim, completa. Completamente triste mas, sobretudo, inundada. Nesse momento ela tira a roupa e põe todo o seu corpo embaixo da água morna que sai do chuveiro, ela sorri. Assim, pra ninguém, só pra ela mesma. E percebe que viver vale a pena. 

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